← Voltar ao Blog Mulher caminhando ao ar livre em um dia de exercício, vista das pernas

Foto: Ilarawan Photography / Pexels

A celulite estética é uma condição inofensiva da pele que forma ondulações, como uma casca de laranja, nas coxas, nos quadris, nos glúteos e no abdômen. Segundo a Mayo Clinic, é mais comum em mulheres.

Ela não deve ser confundida com a celulite infecciosa, que é uma infecção da pele. Nenhum tratamento garante eliminar as ondulações por completo.

O que é a celulite estética?

A Mayo Clinic descreve a condição como muito comum e inofensiva, com pele ondulada e irregular nas coxas, nos quadris, nos glúteos e no abdômen. Ela é mais frequente em mulheres.

A forma leve só é percebida quando se pinça a pele numa área afetada, como as coxas. Na forma mais marcada, a pele parece enrugada e irregular, com áreas de picos e vales.

Uma revisão no Aesthetic Surgery Journal Open Forum afirma que a condição é indolor. Mas, por ser vista como esteticamente indesejada, ela se associa a efeitos psicossociais negativos.

A CUF informa que a condição é classificada em graus, e que nas formas mais leves ela só é detectada quando a pele é comprimida.

Celulite estética e infecciosa são a mesma coisa?

Não. A CUF alerta para não confundir a forma estética com a celulite infecciosa, uma infecção bacteriana grave da pele e potencialmente fatal.

A forma infecciosa se manifesta por áreas de vermelhidão, calor e dor na pele afetada, que tendem a se espalhar rapidamente, segundo a CUF.

Por isso, pele vermelha, quente e dolorida, principalmente se a área aumentar depressa, deve ser avaliada por um médico o quanto antes. Este guia trata da forma estética.

Médica examinando a pele de uma paciente durante uma consulta
Pele vermelha, quente e dolorida que se espalha rápido exige atendimento médico. Foto: Gustavo Fring / Pexels

Quais são as causas?

A Mayo Clinic afirma que se sabe pouco sobre as causas. A revisão do Aesthetic Surgery Journal diz que a origem e o mecanismo ainda não foram totalmente esclarecidos.

A CUF explica que a condição resulta do efeito combinado dos cordões de tecido conjuntivo que ligam a pele ao músculo e do acúmulo de gordura sob a pele.

A revisão acrescenta que a herniação da gordura é um evento secundário, e não a causa primária da condição.

Há pouca informação sobre quantas pessoas são afetadas e sobre os fatores que predispõem, porque faltam dados epidemiológicos robustos, segundo a mesma revisão.

Quem tem mais chance de ter?

Segundo a Mayo Clinic, é muito mais comum em mulheres do que em homens. A maioria das mulheres desenvolve algum grau depois da puberdade, porque a gordura costuma se distribuir nas coxas, nos quadris e nos glúteos.

A revisão científica afirma que os homens raramente são afetados.

A clínica cita ainda estes fatores associados:

  • envelhecimento, quando a pele perde elasticidade;
  • ganho de peso, que pode tornar as ondulações mais visíveis;
  • histórico familiar, e a genética pode ser o fator de maior peso;
  • estilo de vida inativo;
  • gravidez.

A Mayo Clinic ressalta que peso e tônus muscular influenciam, mas até pessoas muito em forma e algumas pessoas magras têm a condição.

Como é feito o diagnóstico?

Segundo a CUF, o diagnóstico é feito pela observação da pele. Não há exame de sangue ou de imagem citado como necessário para a forma estética.

A Mayo Clinic explica que a forma leve só é vista quando se pinça a pele numa área afetada. Isso ajuda a perceber as ondulações que de pé podem passar despercebidas.

O médico também verifica sinais de infecção, como vermelhidão, calor e dor que se espalham, para separar a forma estética da infecciosa.

Roupas apertadas e circulação influenciam?

A CUF inclui o vestuário muito apertado, que dificulta o fluxo de sangue, entre os fatores que podem contribuir para o problema.

A instituição afirma ainda que usar roupas confortáveis impede a formação da condição que resulta de roupas muito apertadas.

Isso não significa que a roupa seja a causa principal, já que as fontes descrevem as causas como mal compreendidas.

Existe um jeito de eliminar de vez?

A revisão científica afirma que o tratamento continua sendo um desafio. Isso se deve à complexidade da condição, à origem pouco clara e à eficácia limitada dos tratamentos disponíveis.

Há muitos tratamentos, de métodos não invasivos a minimamente invasivos, segundo a revisão. Em 2021, cirurgiões de uma associação americana de cirurgia plástica estética fizeram mais de 86 mil procedimentos minimamente invasivos para a condição.

A CUF vai além: afirma que, embora existam inúmeros tratamentos, nenhum deles está devidamente apoiado por evidência científica.

Por isso, o objetivo realista é melhorar a aparência, sem prometer pele sempre lisa. Para evitar decepção, vale desconfiar de promessas de resultado definitivo.

O que a CUF cita entre os tratamentos?

A CUF descreve abordagens baseadas em princípios mecânicos ou físicos, como o tratamento pelo calor. Descreve também o uso de substâncias que supostamente ajudam a remover a gordura sob a pele.

Segundo a instituição, uma técnica mais recente, feita com laser, destrói células de gordura e confere firmeza à pele, e pode ser mais eficaz.

Este guia não traz nomes de produtos nem doses. A CUF afirma que o uso de roupa confortável impede a formação da condição que resulta de roupas muito apertadas.

A drenagem linfática manual funciona?

Um estudo da UNIFESP avaliou a drenagem linfática manual na abordagem da celulite. Entre 15 participantes, 33% melhoraram o grau e 64% mantiveram o mesmo grau.

Os autores concluíram que a drenagem foi segura, mas ineficaz quando aplicada isoladamente. Houve, porém, melhora significativa na qualidade de vida e redução da circunferência do quadril.

Eles afirmam que são necessários estudos randomizados e controlados para saber se a drenagem funciona sozinha ou combinada a outros métodos.

Atividade física e peso ajudam?

A Mayo Clinic afirma que peso e tônus muscular influenciam a condição, e que o ganho de peso pode tornar as ondulações mais visíveis. Mas a clínica lembra que pessoas em forma também a têm.

Um estilo de vida inativo pode aumentar a chance de ter a condição, segundo a mesma fonte. Por isso, manter-se ativo é uma medida razoável de saúde geral, mas não promete eliminar as ondulações.

Para entender a gordura que mais preocupa a saúde, veja o guia sobre gordura visceral. Para o papel da massa muscular, veja o texto sobre proteína para mulheres 40+.

Mulher fazendo alongamento em um tapete de ioga dentro de casa
Atividade física e peso saudável ajudam na saúde da pele, mas não eliminam a condição. Foto: Andrea Piacquadio / Pexels

Mitos e verdades sobre a celulite

"Só aparece em quem está acima do peso"

Mito. A Mayo Clinic afirma que o ganho de peso pode tornar as ondulações mais visíveis, mas algumas pessoas magras também têm a condição.

"É um problema só de mulheres"

Em grande parte. É muito mais comum em mulheres, e os homens raramente são afetados, segundo as fontes.

"Existe creme ou procedimento que elimina de vez"

Sem apoio na evidência. A CUF afirma que nenhum tratamento está devidamente apoiado por estudos, e a revisão científica fala em eficácia limitada.

"A drenagem linfática resolve sozinha"

Não, segundo o estudo da UNIFESP: a técnica foi segura, mas ineficaz quando usada isoladamente.

A celulite afeta a saúde emocional?

Sim, pode afetar. A revisão científica afirma que insatisfação com o corpo, sofrimento psicossocial, ansiedade e redução da qualidade de vida são muito frequentes entre mulheres com a condição.

Por isso, o incômodo com a aparência é legítimo e merece ser levado a sério. Conversar com um médico ou com um profissional de saúde mental pode ajudar a decidir o que fazer.

O que perguntar ao médico?

Levar perguntas objetivas ajuda a escolher com segurança. Estas sugestões se baseiam nas fontes citadas:

  • É a forma estética ou há risco de infecção da pele?
  • Qual resultado posso esperar de cada tratamento?
  • Há evidência de que esse método funcione, e por quanto tempo?
  • Quais são os riscos e os custos de procedimentos minimamente invasivos?
  • Há algum cuidado de rotina que eu possa adotar?

Perguntas frequentes sobre a celulite

A celulite é perigosa?

A forma estética é inofensiva, segundo a Mayo Clinic. A forma infecciosa é outra condição e exige avaliação médica.

A gravidez e a idade influenciam?

Sim. A Mayo Clinic afirma que a condição é mais comum com o envelhecimento, quando a pele perde elasticidade, e que a gravidez pode aumentar a chance.

Quem é magra também tem?

Pode ter. A Mayo Clinic afirma que algumas pessoas magras têm a condição, e que até pessoas muito em forma podem ter.

Os homens também têm?

Raramente, segundo a revisão do Aesthetic Surgery Journal. É muito mais comum em mulheres.

Algum creme elimina?

A CUF afirma que nenhum dos inúmeros tratamentos está devidamente apoiado por evidência científica. Converse com o médico antes de gastar com produtos.

Quando procurar um médico

Procure atendimento rápido se houver vermelhidão, calor e dor na pele que se espalham depressa, pois pode ser uma infecção, segundo a CUF.

Procure também um dermatologista para tirar dúvidas sobre tratamentos antes de investir em procedimentos. Nenhum cuidado em casa substitui a avaliação de um profissional de saúde.

Resumindo

A celulite estética é uma condição comum e inofensiva, mais frequente em mulheres, de origem mal compreendida. Magras e pessoas ativas também podem ter, e os homens raramente são afetados.

A forma infecciosa é diferente e exige atendimento. Nenhum tratamento está bem apoiado por evidência, e o objetivo realista é melhorar a aparência. Em caso de dúvida, converse com um médico.

Fontes

Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um profissional de saúde.

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